Frida

A exposição  Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México chega ao Rio de Janeiro nessa semana após temporada em São Paulo. A mostra fica até o dia 28 de março na Caixa Cultural. Para aqueles que conhecem e querem conhecer Frida Kahlo, a exposição é imperdível.

Frida nasceu em 1907, como um prelúdio das grandes revoluções que aconteceriam no começo do século, no México e no mundo. Foi após um acidente de bonde, aos 19 anos, que Frida mergulhou-se na arte. Do espelho do alto de sua cama, com quase todo o corpo quebrado pelo desastre, ela via a si mesma. Em suas palavras: “Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.

O autorretrato seria uma das características principais da arte da pintora. Após sua recuperação, apaixona-se pelo muralista mexicano e comunista, Diego Rivera, que seria um expoente artístico após a Revolução Mexicana de 1910, que colocou fim à ditadura de Porfírio Dias.

O acidente de Frida havia mudado sua vida. Dele surgiu uma mulher ainda mais forte, presa a um corpo para sempre enfermo, utilizando a arte para se libertar. Em vida, sua obra não foi reconhecida pelo público com a mesma magnitude que após sua morte. Casada com Diego, viveu anos felizes, apesar de não suportar as traições do marido, que a fazia sofrer imensamente. O acidente da juventude a fez ter três abortos e enterrar o sonho de ser mãe. Em carta a Diego, escreve: “Diego, houve dois grandes acidentes na minha vida: o bonde e você. Você sem dúvida foi o pior deles.” A pior traição de Diego e que a fez deixá-lo pela primeira vez foi com sua própria irmã, Cristina. Frida desabafa: “ela era a irmã que eu mais amava”.

Após uma temporada separada de Diego, Frida teve vários amantes, homens e mulheres. Ela volta com Diego após alguns anos e começa a expor seus quadros, por insistência de amigos e do próprio marido. Logo, fica conhecida como uma artista surrealista, a que ela insiste que não é, já que o surrealismo nela é espontâneo. Sua própria realidade é surreal.

Com 32 anos, uma exposição em Paris, um quadro no Louvre e uma capa na Vogue, Frida e Diego se separam novamente, e a artista pinta o quadro das duas Fridas, a que Diego amava e a que detestava. A separação faz com que sua doença piorasse. O casal novamente se casa, e ela melhora temporariamente, mas com quase 40 anos, seu corpo não mais lhe dava trégua.

Com 47 anos, Frida deixa a vida para nunca mais voltar, como disse certa vez, pouco tempo antes de sua morte. Seu último quadro, era uma natureza morta com melancias cortadas, seu nome, local, a data de 1954, e a frase Viva la vida. Após sua morte, Diego vive apenas mais três anos e o último quadro que pintou foi de melancias cortadas.

A exposição de Frida é a bibliografia de sua vida, pois assim são seus quadros – descrições da surrealidade da vida da artista.

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