Fala sério

O assunto não é outro e não tem como ser diferente, vota-se no Aécio ou na Dilma, se votar no Aécio, você é isso, se votar na Dilma, é aquilo. A polarização chegou a tais níveis que as pessoas tornaram-se verdadeiros cabos eleitorais de um ou de outro, disputa política sem precedentes na história eleitoral brasileira. E haja água para acalmar esses ânimos. Pois bem, o que não caiu a ficha é que água, isso não há.

O presidente da ANA (Agência Nacional de Águas), Vicente Abreu, anunciou nessa terça-feira, dia 21, que a Sabesp pretende drenar a água do lodo se não acontecer um milagre e a reserva do Cantareira voltar aos níveis, pelo menos, arriscados de volume d’água. Abreu considera a medida como uma “pré-tragédia”. Esse tipo de ação, além de acarretar danos ambientais a uma zona já fragilizada, compromete a qualidade da água para o consumo.

Em entrevista concedida à Folha, ele aponta um desacordo com o governo do Estado de São Paulo, representado pela figura do recém-eleito Geraldo Alckmin, e denuncia que as questões relacionadas com a escassez de água já tinham sido diagnosticadas, porém o secretário do Estado, Mauro Arce, evitava qualquer alteração na dinâmica de consumo da população, afirmando que não havia fechado acordo entre as partes. Por conta desse desentendimento, a ANA retirou-se do grupo de gerenciamento da crise do Cantareira.

O problema da má administração das reservas hídricas acabou tornando-se também mais uma ferramenta de ataque entre os candidatos à Presidência da República. Aécio Neves, em pronunciamento feito em Minas Gerais, culpou a ausência do Estado Federal junto à ANA, o candidato ignorou a responsabilidade do governo do Estado, esfera muito mais próxima e coerente com os órgãos reguladores da Reserva do Cantareira e pulou a existência de regências ao falar da falta de comprometimento do PT com o caso. Vicente Abreu foi claro, ele acredita que assumir a culpa de um lado ou do outro não ajudar na resolução da crise.

Enquanto isso, Geraldo Alckmin, com níveis extraordinários de aprovação, manda um ofício direcionado ao Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, sugerindo que a organização é incapaz de analisar com seriedade os fatos relacionados ao clima. A queixa é resultado da constatação da relatora especial da ONU para água e saneamento, Catarina de Albuquerque. As verificações denunciam a crise hídrica e apontam o descaso do governo do Estado de São Paulo em relação aos investimentos e soluções para o setor. Enquanto isso, o consumidor lava a calçada e vota no Alckmin.

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