Europeus contra governo Temer

Apesar do apoio da Casa Branca, nem todos viram com bons olhos o afastamento da presidenta no cenário internacional. Na última segunda-feira, um grupo formado por mais de 30 deputados do Parlamento Europeu pediram à União Europeia (UE) para que não se relacionem, por meio da aliança Mercosul, com o Brasil.

Os deputados enviaram um pedido formal endereçado à alta representante da UE para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, para persuadi-la a não negociar com o atual Governo interino. O autor da carta, o deputado Xabier Benito, do partido espanhol de esquerda Podemos, denuncia a falta de “legitimidade democrática” do novo presidente e ressalva o comprometimento ético de acordos entre os blocos.

A necessidade apontada pelos deputados europeus de cortar relações com o Brasil diz respeito ao tipo de elo estabelecido entre União Europeia e os países do Mercado Comum do Sul, o qual não engloba apenas questões econômicas; de acordo com o tratado, existem acordos de serviços, licitações públicas e propriedade intelectual entre os dois blocos, portanto, por meio desse relacionamento diplomático, estaria o compromisso de averiguar também os padrões democráticos de conduta dos seus países membros.

Ele ainda declara sua preocupação com as investigações acerca das improbidades administrativas e se dirige à presidenta como refém de um parlamento corrupto e duvidoso: “Duvidamos que esse processo de negociação tenha a legitimidade democrática necessária para um assunto dessa magnitude”, afirmou. No documento, Benito ainda reitera a importância de novas eleições presidenciais.

Dilma foi afastada no dia 12 de maio, o processo tem o limite máximo de 180 dias ou enquanto durar o julgamento das acusações. Se Dilma for absolvida no Senado, ela retorna ao posto até o fim do mandato, enquanto isso assume seu vice Michel Temer.

Enganou-se quem achou que o afastamento da presidenta traria alívio para o mercado econômico e estabilidade política ao país. O mercado tende, aos poucos, a voltar aos padrões de normalidade em um país politicamente instável, pois os investidores se anteciparam com a troca de cadeiras e, apesar da valorização da Bovespa me meados do impeachment, o novo presidente não trouxe o chão político necessário para a tranquilidade dos investidores, vide os recentes escândalos envolvendo os novos ministros.

Se nós estávamos mal vistos com os escândalos da Petrobrás, agora, com a retirada da presidenta, da forma como se deu, aos olhos do mundo, somos párias dos direitos democráticos na América Latina.

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