Eu torço por ele

Eu sei que é chato bater na mesma tecla tantas vezes, mas se o Itaú com aquela música irritante pode, por que eu também não posso? Hoje, fiz o exercício mental de como seria o nosso país se realmente torcêssemos por ele todos os dias, sem os moldes perigosos do nacionalismo, apenas carregando a determinação de quem sempre continua. Andei pelas ruas e imaginei que se a euforia e a esperança pudessem permanecer o ano inteiro com a gente, talvez  as coisas fossem melhor.

A vontade de sermos um só, embaixo de uma mesma causa, existe, é legítima, e as grandes manifestações de junho de 2013 provaram isso para nós. Não acredito que o futebol seja o elemento aglutinante mais adequado para quem realmente se importe com o país, apesar do que tentam nos vender pelos comerciais. E estávamos caminhando direitinho, o que me perturba é saber quando e em que momento a torcida se perdeu. De repente, lutar pelo Brasil saiu de moda e ninguém mais quis saber. E nosso pobre Brasil voltou a ser um mero suporte imperfeito para os nossos pés.

Não é a hora de consertar a casa, diziam eles, coloquemos um remendo, deixemos a festa rolar e depois falamos de saúde pública, moradia e educação. E esses mesmos, que a meu ver não gostam daqui, são os mais sarapintados de quinquilharias verde e amarela e enchem a boca para gritar um “vai Brasil”. Vai para onde?

Havia um bom humor generalizado e o sentimento de que nada é mais importante do que a vitória no futebol, capaz de manter a euforia ou dissolve-la, tão incerta quando a garoa do fim de tarde. E para aqueles que esperavam um tempo firme, hoje choveu.

A festa acabou minha gente, hora de tirar essa decoração de mau gosto e voltarmos com a arrumação da casa. O Brasil, sem a Copa, continua o mesmo. Eu não sei quanto a vocês, mas eu ainda torço por ele.

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