Eduardo Cunha e o PMDB

Não demorou muito para que fosse formalizado o que todos já sabiam: Eduardo Cunha foi ligado à operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras. A acusação é de que o presidente da Câmara dos Deputados tenha recebido 5 milhões de dólares em propina. No mesmo momento, Cunha rompe com o governo, mesmo sendo filiado ao PMDB, partido aliado ao PT. Em meio a uma sucessão de escândalos, o presidente da Câmara torna-se a caricatura da política brasileira, uma demonstração personificada de por que o país precisa de reforma política.

O PMDB, Partido do Movimento Democrático Brasileiro, é filho do MDB, Movimento Democrático Brasileiro, único grupo de oposição à ARENA, partido dos militares, na época da ditadura no Brasil. A partido opositor agregava todos que eram contra a ditadura, misturando questões ideológicas. Ao mesmo tempo em que o MDB se colocava como oposição, ele legitimava a ditadura, ao aceitar as regras não democráticas e ser personagem que encenava a democracia e legitimava a ditadura.

É desse partido que surge o PMDB, uma mistura de ideologias que consegue transitar da direita à esquerda, a depender do que convém ao partido. Sua bandeira é aliar-se à situação, já que desde a época da ditadura já fazia isso. Ao jogar com o vencedor e não ter posições ideológicas fortes, o PMDB cria capilaridade por todo o país, do âmbito municipal ao federal.

Eduardo Cunha é a personificação do partido e da política brasileira. Essa semana, o presidente da Câmara anunciou o rompimento com o governo sem respeito à sigla partidária que pertence, o que demonstra como a política brasileira é ligada ao indivíduo independentemente de seu partido. Cunha apenas fortalece a concepção clientelista brasileira, em que os eleitores votam em pessoas em troca de favores e não em partidos políticos em troca de programas de governo.

A palavra mais usada pelo governante em sua conta de twitter é “Deus” e sua estratégia é responder com acusações que tiram do foco os escândalos em que ele está ligado. Algo bastante comum na sociologia brasileira.

O PMDB já afirmou que irá ter um presidenciável em 2018, o que mudaria a estratégia desse partido. A probabilidade é que Cunha seja engolido pela Operação Lava Jato ou esquecido da mente dos brasileiros. A questão importante é como ficam as coligações brasileiras se o PMDB deixa de frequentar os bastidores para subir ao palco. Que Eduardo Cunha quer mais, isso todos sabem na certeza de sua ambição ilimitada. Talvez seja o pleito à presidência que ele deseje.

O presidente da Câmara dos Deputados é tudo o que há de errado na política brasileira. Se o país mudar, após as diversas investigações e escândalos de corrupção, um novo PMDB deverá surgir por questão de sobrevivência, e personagens como esses tenderão ao desaparecimento. Como diria Cunha: oremos para que isso aconteça!

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