E agora loro José

Se caso a votação no Senado decidir por afastar a presidenta do seu exercício, veremos a quantas anda a verdadeira insatisfação dos patriotas batedores de panela. Massino D`Alema, ex-primeiro-ministro da Itália, em entrevista para a Carta Capital , comenta sobre a situação vista em perspectiva e alerta sobre uma perigosa e duradoura turbulência.

Ao instituir Temer e Cunha como comandantes do barco, faz-se vista grossa a escândalos de corrupção e deixa-se passar um dos maiores perigos democráticos desde o golpe militar de 1964. D´Alema capta um aspecto interessante sobre as manifestações contra o governo, elas são “contra”.

Contra o Partido dos Trabalhadores (PT), contra Dilma e contra a corrupção; ou seja, não há um desejo popular legítimo em apoiar a candidatura de Michel Temer, nem de instituir Eduardo Cunha como vice-presidente. Estamos vendo nas ruas uma população enraivecida, confusa e insatisfeita com a representatividade brasileira de maneira geral, vide as agressões que Geraldo Alckmin e Aécio Neves receberam dos manifestantes quando tentaram participar da passeata do dia 13 de maio, no ano passado, na Paulista.

O sistema presidencialista tem uma série de problemas, mas em um aspecto ele é certeiro, é um governante eleito pela decisão da maioria, se ele não atendeu às expectativas dos eleitores, essa é outra questão, porém foi o desejo pelo voto direto. Já um vice-presidente empossado por articulação parlamentar… Falavam em extinguir os escândalos de corrupção, mas através de um golpe parlamentar? E a reforma política? Onde fica? Da operação Lava Jato, misteriosamente, não se fala mais.

Ao que a maré indica, troca-se, no país, uma presidenta suspeita por dois sujeitos réus. Talvez uma parcela dos brasileiros não esteja ciente do perigo ao qual estamos reféns.

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