Dislexia de Bacamarte em apoio aos professores do Paraná

O dia 29 de abril entrará para a história do estado do Paraná. Beto Richa, governador do estado (PSDB), ordenou o massacre de professores da rede pública, que estavam acampados em frente à Assembleia Estadual desde o dia 27 em protesto contra alterações na previdência do servidor público. Os manifestantes buscavam ser ouvidos pelo estado e, ao contrário, foram atacados com bala de borracha, jato de água, cacetete e cachorros da tropa de choque. São mais de 200 feridos.

Dentro da Assembleia Legislativa do Paraná acontecia a última votação para aprovar novos rumos para a aposentadoria dos servidores públicos do estado. A medida retira a aposentadoria do Fundo Financeiro, sustentado unicamente pelo governo, e passa para o Fundo de Previdência Social, que é mantido pelo governado e pelo  próprio servidor. Os professores acreditam que a médio prazo o Fundo de Previdência Social não se sustentará economicamente, e as consequências serão sentidas pela categoria.

Fora do prédio, o cenário era de guerra. A polícia utilizou até mesmo cachorros para dispersar a multidão. A ironia é que os ativistas da vez eram professores da rede pública. O Brasil possui um quadro crônico de desvalorização do professor, com um dos menores salários do mundo, de acordo com relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento), Education at a Glance. Além disso, a educação básica no país está sucateada, o que afeta diversas outras áreas, como a segurança.

E foi por segurança que o governador Beto Richa decidiu pelo impedimento da entrada dos professores na Assembleia, uma casa legislativa que pertence ao povo, e que qualquer cidadão tem o direito de entrar. A proibição veio acompanhada de violência abusiva contra os manifestantes. Enquanto sons de bombas eram ouvidos na Praça em frente à Assembleia, os deputados prosseguiam a votação. O projeto de lei foi aprovado pela Câmara. Falta a sanção do governador, que entrou com o pedido.

Em vídeo, Beto Richa defende os ataques e afirma que os protestos foram resultantes de manobras políticas. A prefeitura de Curitiba foi fechada para atender os feridos. O prefeito rival de Richa pede, desde segunda-feira, pelo fim da intervenção policial. Após a violência desproporcional contra os manifestantes, qualquer alegação do governo do estado perdeu por completo a legitimidade.

Sr. Governador,

Todos as pessoas possuem o direito de manifestarem-se. Os cidadãos paranaenses têm direito de acompanhar votações no Assembleia, a qual pertence unicamente ao povo. A repressão foi um atentado contra a vida de profissionais encarregados de educar o país, para modificar escolhas conservadoras, patriarcais, anti democráticas e violentas, como foram as suas decisões. Ao pensar em defender a segurança de um patrimônio público, o Senhor atentou contra a vida de centenas de manifestantes, que tinham e sempre terão o direito de ocupar a sua própria casa.

O Dislexia de Bacamarte declara seu apoio aos professores paranaenses, sempre à favor do direito à manifestação.

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