Discurso político em época de eleição

As eleições 2014 serão diferentes de qualquer outra. As jornadas de junho, no ano anterior, trouxeram um novo viés para a escolha dos presidenciáveis. Com elas, veio a vontade de dizer o que há de certo e errado. As jornadas não são um fim em si mesmo, mas o início de um processo de transição da sociedade brasileira, que tem mais, mas não o suficiente. Para completar, o ano também foi contemplado com a Copa do Mundo e seu “padrão FIFA”, em um país que nada tem de FIFA, se é que alguém tem – nem a própria. O que parece preocupante, nesse contexto, é o discurso raso de um lado e de outro, que expõe toda uma sociedade despolitizada.

É inegável o aumento de renda que o brasileiro teve no governo Lula, seja por políticas públicas acertadas e expandidas, que tiveram início no governo Fernando Henrique, como o Bolsa Escola, atual Bolsa Família, seja pelo cenário internacional favorável pré-crise mundial de 2008. Culpar o governo petista pelos males seculares do Brasil não é razoável, por mais que houvesse falhas no governo Lula e Dilma. Por outro lado, vendar-se para problemas políticos e econômicos atuais, e defender cegamente uma bandeira de esquerda, que cada vez mais migra para o centro, também não é plausível. Eis que o debate da sociedade civil parece se resumir a isso: quem é petista ou não.

O “padrão FIFA” originou um sentimento aparentemente legitimado de que tudo no Brasil é ruim em comparação ao imaginário e inexistente padrão. Ressurge o discurso civilizatório, em que tudo que se encontra lá é melhor do que o que está aqui. A marca de roupas Ellus fez camisetas em seu desfile com os dizeres “Abaixo esse Brasil atrasado”. O protesto tornou-se uma manifestação rasa e descontextualizada em ambiente de elite, que mais se assemelha ao fascínio burguês aristocrático por tudo que vem de fora.

Por outro lado, há uma esquerda petista que se fecha para a realidade do país e que, cada vez mais, perde o poder da análise crítica para melhorar seu partido. Trata-se de eleitores que defendem cegamente qualquer atitude do governo. É uma esquerda estranha, que defende os gastos na Copa do Mundo, sem analisá-los, e tem como parâmetro governista o ex-sindicalista Luís Inácio Lula da Silva. A maneira como a Copa foi concebida – de maneira elitista e sem qualquer retorno para a população – não está de acordo com as lutas democráticas e sociais de Lula. Mesmo assim, há quem a defenda, apenas por gostar de futebol ou do PT.

A crítica aqui não serve para que as pessoas deixem de seguir o partido em que estão filiadas ou deixem de ser crítica ao governo, mas que busquem maior politização, para de fato poderem contribuir com as partes que defendem. Um discurso sem argumentos políticos apenas sustenta o país que todos inferiorizam e fortifica aqueles que lucram com a briga aos gritos de um lado e de outro. O Brasil está em transição para uma sociedade civil politizada, porém o perigo reside em tomar posições sem conhecimento, e ser facilmente levado por forças políticas que desejam angariar partidários que ajudem a concretizar ações contrárias à justiça social.

Deixe uma resposta