Dilma e seus ministros

Governo Dilma parte II já está quase finalizado com o anúncio de mais uma leva de novos ministros: Kátia Abreu, Aldo Rebelo, Cid Gomes, Gilberto Kassab, Eduardo Braga, Helder Barbalho, Edinho Araujo, Joaquim Levy, Nelson Barbosa, entre outros. Se aqueles que votaram em Dilma Rousseff esperavam por mudanças, podem se decepcionar. Após vencer Aécio Neves com poucos votos de diferença, a presidenta não apenas acena para a direita, mas também torna seu governo cada vez mais parte dela.

Os nomes escolhidos para chefiar os Ministérios indicam que não haverá mudança alguma no quadro de poder e desigualdade do Brasil. Os oligarcas, latifundiários e bancários tomarão as decisões para os próximos quatro anos, como quase sempre ocorreu no Brasil. Os nomes indicados possuem relação com envolvidos em escândalos governamentais, como Jader Barbalho, pai de Helder Barbalho, futuro ministro da Pesca e atritos com comunidades indígenas e movimentos sociais, como a futura ministra da Agricultura, Kátia Abreu.

A visão tecnocrata de Dilma não considera a necessidade de mudanças estruturais de longo prazo para melhorar o país. A educação perece no país e a desigualdade permanece – problemas básicos que dificultam o crescimento e investimento interno. Cid Gomes será o novo ministro da Educação. De família de políticos, Cid Gomes é irmão de Ciro Gomes e faz parte do clã político Ferreira Gomes, importante na política cearense desde o século XIX. Para melhorar a educação não haverá um professor, mas um oligarca, que pouco fará para mudar as estrutura e modificar a relação entre pobres e ricos.

Joaquim Levy, como ministro da Fazenda e bancário de carreira, promete políticas ortodoxas, nada diferente do que se tem observado no Brasil desde o governo Lula. A fórmula da presidenta é crescer por meio das mesmas políticas engendradas há anos no Brasil. Dilma faz uma política de feijão com arroz, prato preferido e incansável do brasileiro.

O enfraquecimento do Itamaraty é exemplo da falta de habilidade política da atual governante. Afinal, fazer política externa não é colocar dados em planilhas quantificadas. Visão limitada que Dilma teima em adotar, sem perceber os ganhos indiretos de uma inserção fortificada do Brasil no cenário internacional. Enquanto isso, o país perde espaço decisório em órgãos internacionais.

Com a centralização do PT por meio de seu flerte à direita, quem sai perdendo é a democracia. Governos devem trazer novidades para que em cada mandato haja fortificação em uma área. O Ministério conservador formado a partir de 2015 em nada contribuirá para mudar o Brasil.

Senhora Presidenta, o país não vai bem para mais quatro anos de continuísmo secular. Não há nenhuma figura progressista capaz de ideias inovadoras no executivo, o que se vê é um quadro fantasmagórico de descendentes de oligarcas que sempre comandaram o Brasil. O xadrez estratégico de Dilma, tão bem arquitetado em alianças, pode ter sido seu último suspiro político.

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta