Copa 2014 como prelúdio das eleições

A Copa do Mundo no Brasil, desde Lula, já orquestrada pelo governo petista como aposta de reeleição da base governamental, transformou-se em algo que nem o melhor analista político clarividente poderia imaginar naquela época: motivo de protesto e rejeição. A Copa é o evento perfeito para as ruas em efervescência. É a política de pão e circo escrachada, com a diferença que, ao contrário de Roma, não é feita para as classes baixas, e sim, para a elite. É um alvo para o brasileiro confuso em escolher sua pior insatisfação. E em ano de eleição, a luta das ruas transforma-se, também, em palanque eleitoral.

Historicamente, manifestações são constituídas de diversos grupos. A união da diversidade ocorre quando o objetivo é comum e, no caso do Brasil, apesar da pontualidade da demanda das Jornadas de Julho, redução do preço da passagem, há nas massas um pedido maior e difuso: igualdade e justiça social. Ao contrário do que muitos pregam, pedir tudo não equivale a não pedir coisa alguma, pois o pedido pode ser facilmente concretizado em qualquer ação que agrave a desigualdade do País. As confusas reivindicações instauradas após o logro da redução das passagens, rapidamente, converteram-se em luta contra a Copa, que representa gastos públicos desnecessários, desvios de verbas e corrupção. O cenário da Copa de 2014 será diferente de qualquer outro que a Fifa já presenciou. Copa e luta farão parte da mesma arena de um jogo sem vencedores, pois reformas políticas atrasadas em séculos não surgirão em um país incapaz de entregar estádios, e o descontentamento não será apaziguado por jogo esportivo algum, menos ainda pelo jogo que a nação possui adoração e que foi desvirtuado pelas grandes corporações.

O que torna essa luta ainda mais singela é o fato de ocorrer em ano de eleições. A mídia já deu início às disputas eleitorais, acusando vândalos, esquecendo-se de mortos sem identidade e culpando o governo atual por problemas seculares da sociedade brasileira. O editorial do jornal Folha de São Paulo de 11 de fevereiro é um exemplo da briga dos grandes instaurada para cooptar os pequenos, tem até editorial da jornalista Rachel Sheherazade defendendo a “justiça” pelas próprias mãos. Na rua, haverá confusão, pois essa é característica natural de qualquer sublevação, mesmo a mais pacífica, já que agrega diversos grupos, que desafiam o status quo e todos aqueles que o defendem. Contudo, em 2014, apoiado pela mídia, haverá um número considerável de cabos eleitorais à disposição nas manifestações, para confundir e enganar. Serão tempos de notícias e atividades ambíguas, todas com o objetivo encoberto de conquistar o eleitor com argumentos de justiça social.

As manobras eleitorais já iniciadas terão conseqüências em outubro. As eleições serão o próximo alvo de reivindicações, por simbolizar a mudança demandada e não atendida. O cuidado deve estar em como a luta se fará. Cabos eleitorais estarão infiltrados em todas as esferas reivindicatórias, e o pedido principal por direitos pode transformar-se em ausência completa de justiça, concretizada em repressões e radicalismos por parte de quem detém o poder.

As ruas existem para ser ocupadas, e se a carência é total, as reivindicações são plurais. A força de uma manifestação aumenta conforme ela homogeneíza objetivos. Dois eventos, um pensado como ópio do povo, e o outro como consagração e recompensa da droga gratuita, tonaram-se alvo concreto do Brasil que pouco tem. Em ano de eleição, as maquinações eleitoreiras tendem a aumentar, e a ida às ruas pode tornar-se jogo de partidos e grupos não condizentes com as reais necessidades nacionais. As Jornadas de Junho não foram de junho, não serão da Copa, e não terminarão em outubro de 2014. Cada um desses acontecimentos terá conseqüências para o País, e deve-se estar atento a maquinações contrárias ao interesse da população. O que se iniciou por poucos, ao que tudo indica, dessa vez, não acabará nem em e nem no Carnaval. Novamente, o antigo slogan retorna: Não é só uma Copa.

Uma resposta para “Copa 2014 como prelúdio das eleições”

  1. Camila Vieira disse:

    Fato! Nas últimas semanas vimos repressão, apagão, falhas no transporte público, declarações extremamente conservadoras nas mídias. Isso já temos visto em muitas ocasiões, mas elas coexistiram de forma tão intensa e explícita nos últimos dias que está clara a tentativa de condicionar a opinião pública com objetivo eleitoral.
    O mais interessante é o fato de ter tido pouco ou nenhum pronunciamento do executivo sobre essas questões. Parece uma passividade num momento oportuno, como se a reação sobre o que possa ser dito fosse mais relevante do que a necessidade do próprio discurso com o objetivo de dar uma resposta à população.
    Numa sociedade que balança pra onde o vento sopra e nega a sua própria existência, a opinião de fora também tem sido usada pra preencher buraco. É preciso dar crédito para Econom., the Guard. pra saber o que acontece bem na NOSSA cara? Pra quê?!
    A falta de análise crítica longe de sentimentalismos e emoções mutantes é praticamente inexistente, do pobre ao rico.
    Quem sabe nesse período até as eleições, o conjunto de fatos e experiências sejam analisados com mais critério por toda a população. Tomara…

Deixe uma resposta