Como vai o Haiti

O Haiti foi o primeiro país da América Latina a declarar independência e a abolir a escravidão em 1791. Apesar desse feito em pleno século XVIII, o país pagou a ousadia com intervenções francesas e estadunidenses, além de governos ditatoriais por toda sua história.

Em 2004, após a deposição de Jean Baptiste Aristide, a Organização das Nações Unidas (ONU) interveio no país e implantou uma missão de paz comandada pelo Brasil, a Minustah (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti). Já chegando ao fim, a missão deu suporte à população, mas não foi capaz da estabilização política, tarefa que pode levar décadas.

Em 2010, o país com já histórico de falta de governabilidade, sofreu um terremoto que acaba com sua economia e deixa milhares de pessoas mortas. Os sobreviventes ficaram sem moradia, e fome e doenças, como a cólera, assolaram o país. A governabilidade tornou-se um desafio em meio às diversas gangues e crença quase nula da população no sistema eleitoral.

Esse ano, seis anos após o terremoto, pouco se fala do país. Na quinta-feira, 21/02, o senado postergou o segundo turno das eleições presidenciais devido à violência entre governo e oposição. A população não acredita nas urnas e há controvérsias quanto à credibilidade do sistema. Os dois candidatos são, o candidato governista, Jovenel Moïse e Jude Celestin.

Um país devastado e em conflito, o Haiti tenta se recuperar das catástrofes passadas e reconstruir sua história. A coragem pela qual o povo enfrenta as diversas calamidades remonta à coragem pela luta da independência comandada por escravos, diferente das independências de outros países da América, lideradas pela elite colonial. Infelizmente, quando as lutas são feitas pelo povo, demora-se mais para ganhá-las, mas quando acontecem são as mais justas que podem existir.

Deixe uma resposta