Como anda o clima

Dia 23 de setembro acontece a Climate Summit 2014, reunião internacional sobre o clima, convocada pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para influenciar decisões que possam reverter o aquecimento global. O encontro está aberto para todos os líderes pertencentes às Nações Unidas, membros da sociedade civil, acadêmicos e organizações não governamentais. O encontro informal será realizado a apenas três meses da Conferência das Partes (COP) no Peru, reunião anual ligada à Convenção Quadro sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), que possui termos e protocolos obrigatórios para alguns países, e representa o momento adequado para as discussões climáticas mundiais.

Céticos acreditam que a campanha pelo clima idealizada por Ban Ki-moon poderia esvaziar ainda mais a COP em Lima, enquanto outros creem nas reais intenções do secretário-geral em preparar a mesa de negociações para a COP em Paris em 2015, que decidirá sobre o Protocolo de Kyoto, acordo em que as nações desenvolvidas se comprometem a reduzir níveis de emissões em 18% até 2020 comparado com os níveis de 1990.

O Protocolo de Kyoto, em vigor desde 2005, é um documento importante para estabelecer limites de emissões obrigatórias para todos os estados. Até o momento, apenas países com industrialização antiga, inseridos no anexo I, comprometem-se com as metas de emissão. O acordo é baseado em responsabilidades diferenciadas, onde nações ricas são historicamente responsabilizadas por maiores níveis de emissão, devido ao processo de industrialização ocorrido há mais de 150 anos.

Apesar disso, o Protocolo de Kyoto é o embrião para um futuro compromisso mundial obrigatório para reduzir a emissão de gazes de efeito estufa, com o objetivo de reverter as mudanças climáticas e o aquecimento global. A rejeição do pacto por países de industrialização recente não deve ser aval para o desmatamento e consumo de energia fóssil nesses territórios, os quais também são ocasionados por multinacionais pertencentes a grandes potências econômicas. Dessa forma, em vez de países pobres evitarem os erros passados de parceiros desenvolvidos, há insistência no discurso retrógrado de desenvolvimento econômico desintegrado com o meio ambiente.

A destruição de florestas e o consumo de energia são as duas principais fontes de emissões no mundo, sendo o segundo ocasionado principalmente pelo uso de combustíveis fósseis. Países em desenvolvimento deveriam crescer utilizando as riquezas naturais que possuem a seu favor, como uso de energias renováveis e práticas agrícolas que evitem o desmatamento, que a longo-prazo apenas prejudicará o próprio agricultor. O crescimento desordenado, sem considerar consequencias negativas para o meio ambiente e a sociedade apenas gerará um ônus irreversível no futuro, que terá seu custo, como os que recaem sobre as nações mais ricas atualmente.

Relatório lançado essa semana pela The New Climate Economy mostra os benefícios de um crescimento econômico preocupado com o desenvolvimento social, o qual é indissociável da preservação do meio ambiente. É esse padrão que as nações ricas buscam, e deveria ser esse o modelo utilizado por estados em desenvolvimento, pois o custo oportunidade de desenvolver um país alheio às consequências maléficas oriundas de práticas exploratórias é muito maior que aquele calcado em compromissos com a sociedade civil e o meio ambiente.

Esse ano será o ano do clima, e as reuniões organizadas formal ou informalmente deveriam servir de base para que os países sentem na mesa de negociações da COP de Paris com propostas para reverter os níveis de aquecimento global. Os indicativos são mais que suficientes para provar que o momento é de compromisso entre todas as nações, pois de outra maneira a sociedade prosseguirá o mesmo caminho custoso em vidas e dinheiro do passado pelos próximos 50 anos.

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