Tatuagem

Sentei-me com os olhos alheios a quanto me rodeava no vagão do metrô. Imerso num pensamento organizacional, calculava quais seriam meus próximos passos; descer na Estação Consolação, encontrar café pouco frequentado, avançar a leitura do livro, fazer isso, aquilo, depois aquilo outro… Um par de sapatos.

Um par de sapatos desviou a minha atenção e colocou-se na minha diagonal, não tão próximo, nem tão longe. Nunca havia visto um modelo igual. Tamancos holandeses mais ajustados aos pés, de couro na parte dianteira e juta na posterior. Difícil figurar o modelo, eles pareciam da Sarah Chofakian com alguma coisa de ortopédico. Evidentemente não eram bonitos. Ainda assim, eu os usaria.

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Eu poderia caminhar um dia inteiro. Aliás. Eu poderia caminhar por semanas. Eu já caminhei por dias. Dezesseis dias. Digo dezesseis. Foram seis. Mas eu digo dezesseis. Aumento. Invento. Não, não invento. Eu só aumento. Afinal, o fato aconteceu. Só não aconteceu assim do jeito que eu te conto como aconteceu. Eu minto, eu sei, eu minto quando acrescento um decimal na casa dos feitos. E você me julga. Eu aceito. Você tem razão. Realmente, não foi assim, não foi tudo isso. Foram seis digo dezesseis. Eu invento. Não, não invento. Eu só (na singeleza que esse só pode acrescentar para aquilo que eu vá te dizer depois) … Eu só aumento. Por favor, entenda-me.

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