Gullar vai-se embora

Nesse domingo, foi-se embora um grande poeta, o senhor José Ribamar Ferreira, mais conhecido por todos como Ferreira Gullar. O poeta, que também era ensaísta, dramaturgo e crítico literário, deixou-nos às 10h, do último domingo, após 20 dias de internação por complicações pulmonares. Na sexta-feira, ele foi diagnosticado com pneumonia, poucos dias depois de pedir à filha para levá-lo ao mar para ser levado por ele: “Luciana, tudo isso é inútil, me leva para Ipanema”; disse a ela.

Em relação ao medo da morte, em entrevista ao Jornal Rascunho, em 2011, ele disse; “não temo a morte, embora não a deseje”, e com a mesma convicção, lúcida e corajosa, pediu para a família desligar os aparelhos da sua sobrevivência no último domingo.

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Festival Satyrianas homenageia Phedra de Córdoba

A praça Roosevelt e seus entornos eram considerados uns dos lugares mais perigosos de São Paulo. Ainda não se falava em revitalização do centro da cidade em 2.000 e muito menos por meio da ocupação cultural, até que a companhia os Satyros veio em dezembro do mesmo ano e se instalou nos entornos da praça.

A arte transformou a cara do lugar com a ajuda de Phedra de Cordoba, uma artista frequentadora da praça e a eterna madrinha dos artistas da praça. Se podemos falar sobre arte como uma arma de transformação, podemos chamar a diva Phedra de precursora desse processo e nessa edição do festival, a homenageada da vez é ninguém mais ninguém menos que a diva Phedra.

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O urgente em cena pela Companhia Galpão

De que maneira reagir ao mundo da forma como ele se apresenta hoje para nós? Qual é o gesto que poderia ser feito em relação a isso, o gesto que você fazia diante da situação atual? Você ficaria imóvel, irado, impotente, militante, satisfeito? Você é capaz de criar um gesto seu agora em resposta aos acontecimentos?

Por meio da dificuldade dessas respostas, o diretor Marcio Abreu instiga o grupo Galpão para a montagem do espetáculo Nós em cartaz até dia 11 de setembro, de quarta aos domingos na unidade Sesc Consolação em São Paulo.

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Tributo a Elke Maravilha

Se este texto tivesse trilha sonora seria A noiva da cidade de Chico Buarque e Francis Hime, canção feita para o filme de Humberto Mauro de mesmo nome (1978), um dos maiores cineastas brasileiros, e que teve como protagonista a jovem Elke Maravilha.

“Será que a moça lá do alto não escuta o sobressalto do coração da gente” canta Chico Buarque em letra tão apropriada para o dia que Elke Maravilha, russa, alemã, filha de guerrilheiro, brasileira e apátrida, deixou os brasileiros com o coração apertado e um sorriso nos lábios por lembrar dessa figura que representava tantos ao mesmo tempo.

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Xico Sá por Cláudio Assis

O diretor Cláudio Assis estreia Big Jato nos cinemas. O filme foi considerado pela crítica como um dos melhores trabalhos do cineasta e, no Festival de Brasília, venceu nas categorias: melhor filme, melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro e melhor trilha sonora. Se for realmente tão melhor que os demais; Amarelo Manga, Febre do Rato, Baixio das Bestas, entre outros, é difícil dizer, porém uma coisa é certa – Big Jato é definitivamente menos polêmico que os demais.

O longa-metragem é a adaptação dos roteiristas, Anna Carolina Francisco e Hilton Lacerda, de um livro de Xico Sá de mesmo título. Amigo íntimo do cineasta e com uma trajetória de vida muito semelhante à de Assis, Sá também veio do interior do Nordeste para a capital, resgatando nesta ficção traços de autobiografia tanto de um, quanto do outro, apesar da evidente carga fantasiosa da obra.

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