As Arpilleras do Brasil

Chega no Cine Belas Artes o longa-metragem Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência.  Filme feito sem financiamento privado e produzido pela organização MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). A ONG atua há 26 anos com as comunidades ribeirinhas vítimas das zonas de alagamento.  

O documentário denuncia essa realidade ao cruzar o relato de dez mulheres atingidas pelas barragens e que residem em diferentes regiões do Brasil.

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O convite de La Bête

No dia 10 de setembro, o Santander Cultural de Porto Alegre suspende a mostra Queermuseu, depois de ameaças de boicote ao banco. No dia 16, do mesmo mês, a Justiça de Jundiaí proíbe a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu. Ao mesmo tempo, a adaptação teatral do livro foi taxada de “peça gay para crianças” e precisou articular-se para evitar a censura. Internautas se mobilizam para proteger a moral e os bons costumes cristãos. E a política e as empresas respondem a esse eleitorado/consumidor com fechamentos e pedidos de desculpa públicos. Bom, até aí, nada de novo sob o sol.

No entanto, nesse último mês vimos as coisas descambarem quando, na terça-feira do dia 26, na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna (MAM), o artista Wagner Schwartz apresentou a performance La Bête.

A imagem de uma criança pequena encostando a mão no tornozelo do artista nu viralizou. E o performer foi acusado de molestador em conchavo com o público presente e os organizadores da mostra. O curioso, nesse caso em especial, é observar como o relato de todas as pessoas presentes na performance, inclusive o testemunho da mãe da criança, foi ignorado a partir de uma imagem sensacionalista sobre o acontecimento.

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Gullar vai-se embora

Nesse domingo, foi-se embora um grande poeta, o senhor José Ribamar Ferreira, mais conhecido por todos como Ferreira Gullar. O poeta, que também era ensaísta, dramaturgo e crítico literário, deixou-nos às 10h, do último domingo, após 20 dias de internação por complicações pulmonares. Na sexta-feira, ele foi diagnosticado com pneumonia, poucos dias depois de pedir à filha para levá-lo ao mar para ser levado por ele: “Luciana, tudo isso é inútil, me leva para Ipanema”; disse a ela.

Em relação ao medo da morte, em entrevista ao Jornal Rascunho, em 2011, ele disse; “não temo a morte, embora não a deseje”, e com a mesma convicção, lúcida e corajosa, pediu para a família desligar os aparelhos da sua sobrevivência no último domingo.

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Festival Satyrianas homenageia Phedra de Córdoba

A praça Roosevelt e seus entornos eram considerados uns dos lugares mais perigosos de São Paulo. Ainda não se falava em revitalização do centro da cidade em 2.000 e muito menos por meio da ocupação cultural, até que a companhia os Satyros veio em dezembro do mesmo ano e se instalou nos entornos da praça.

A arte transformou a cara do lugar com a ajuda de Phedra de Cordoba, uma artista frequentadora da praça e a eterna madrinha dos artistas da praça. Se podemos falar sobre arte como uma arma de transformação, podemos chamar a diva Phedra de precursora desse processo e nessa edição do festival, a homenageada da vez é ninguém mais ninguém menos que a diva Phedra.

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O urgente em cena pela Companhia Galpão

De que maneira reagir ao mundo da forma como ele se apresenta hoje para nós? Qual é o gesto que poderia ser feito em relação a isso, o gesto que você fazia diante da situação atual? Você ficaria imóvel, irado, impotente, militante, satisfeito? Você é capaz de criar um gesto seu agora em resposta aos acontecimentos?

Por meio da dificuldade dessas respostas, o diretor Marcio Abreu instiga o grupo Galpão para a montagem do espetáculo Nós em cartaz até dia 11 de setembro, de quarta aos domingos na unidade Sesc Consolação em São Paulo.

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