Casa 1 para um começo

Sentado à mesa de um bar, uma coca e um jornalista. Iran Giusti, 27 anos, jornalista e militante LGBT, começa a falar de vontades e loucuras que se tornaram reais. A Casa 1, única casa em São Paulo criada para acolher LGBTs expulsos de suas casas ou em situação de rua tornou-se real em dezembro, após Iran abrir um financiamento coletivo na internet. A casa é um lindo sobrado em uma esquina no centro da cidade e já traz cores e diversidade para a região.

O começo da militância de Iran foi descrito como individual e bastante distante de problemas reais. De acordo com ele “a gente tem uma tendência social a se fechar em determinados grupos”, e mesmo a militância de cada grupo se fecha, muitas vezes sem entender o preconceito e sofrimento de outros grupos. Quando começou a alugar o sofá de sua casa no Airbnb, falando que recebia LGBTs que não tinham para onde ir, surpreendeu-se com a procura. Daí veio a ideia de criar a Casa 1, um espaço cultural e de acolhimento – “parte (dos amigos) achou que eu era um heroi e parte um louco”. Leia

O corpo web

A maneira como nos relacionamos, seja no trabalho ou no âmbito privado, mudou completamente com o uso das redes sociais. Sem exceção, todos nós usamos a web 24 horas por dia nos sete dias da semana. Uma realidade jamais imaginada antes da década de 70. Com essa evolução, será que compreendemos o que mudou no contato humano? De que forma devemos nos sentir diante de tantas e tão rápidas transformações?

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Por que não somos 40

Reza a lenda de que o Ministério Público vai monitorar a conduta dos policiais nas próximas manifestações contra o golpe em São Paulo e Rio de Janeiro após a onda de denúncias sobre truculência e abuso da PM. Dessa vez, a briga é por um motivo muito mais espinhoso do que as grandes passeatas de 2013, e os órgãos de repressão do Estado farão o que seus comandantes mandarem para por fim às reivindicações da rua.

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De repente muda

“A única coisa que não envelhece no rosto são os olhos. Têm o mesmo brilho no dia em que nascemos e no dia em que morremos”, reflete Knausgard em seu livro auto-biográfico A morte do pai. Todo o resto muda, nossa face, nossas relações, nossas formas de manifestar aqueles velhos interesses. De súbito, após uma certa idade, somos tomados pelo sentimento de que tudo mudou, porque nada mudou, e devemos continuar sozinhos. 

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Respeita as mina

Eu voltava para casa numa noite de sábado conversando casualmente com o motorista do Uber e, papo vai papo vem, começamos a falar sobre cantadas. Eu disse a ele: tenho uma sorte incomum com esse tipo de abordagem na rua (porque elas não acontecem), e ele me respondeu: “mas você não se acha feia quando ninguém mexe com você”? Choque. Eu não havia previsto aquela pérola.

Ouvir aquela pergunta sincera de um rapaz que de maneira alguma queria ser desagradável me chamou muito a atenção. Ele realmente tinha uma curiosidade sobre mim, porque, veja só que peculiar, eu havia dito que não gostava de cantadas.

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