Somos todos Cunha?

Não é House of Cards, é o Brasil, país que mostra ao mundo que a governança é um jogo de vale tudo. A regra é vencer. Eduardo Cunha, como um dia existiu Paulo César Farias, agora tem todos os holofotes. No dia de sua renúncia, ele chora por sua família e discursa com a habilidade de um radialista experiente. Ele representa o político ascensorista, que também lembra o perfil de muitos brasileiros médios, economistas, advogados ou médicos de formação medíocre, que sobem as escadas sociais por meio dos privilégios de uma sociedade desigual e patriarcalista.

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À espera pelo melhor delator

Nunca se falou tanto de delatores e delações premiadas no país após os escândalos da Petrobrás, quando a temporada de caça às bruxas da Polícia Federal foi oficialmente inaugurada. Foi graças a esse mecanismo, as declarações premiadas, que esquemas gigantescos de corrupção são investigados e punidos, porém… Há quem critique a medida.

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Temer em telhado de vidro

Dilma foi afastada do poder por no máximo 180 dias e, a partir de 12 de maio, o presidente da república será Michel Temer, um vice-presidente a quem nenhum brasileiro votou para que governasse sem a presidenta e que, portanto, não possui legitimidade para ocupar a cadeira mais importante da hierarquia política brasileira.

No primeiro dia de governo, Temer já nomeou seu ministério, que vinha anunciando desde antes do afastamento de sua companheira de chapa, o resultado parece uma congregação de cafeicultores de 1920, todos os ocupantes são homens, brancos e ricos. O slogan do novo governo também mudou, de Pátria Educadora para Ordem e Progresso, as duas palavras positivistas que envergonham a bandeira nacional. Em um dia, o país voltou à República da Espada. Leia

E agora loro José

Se caso a votação no Senado decidir por afastar a presidenta do seu exercício, veremos a quantas anda a verdadeira insatisfação dos patriotas batedores de panela. Massino D`Alema, ex-primeiro-ministro da Itália, em entrevista para a Carta Capital , comenta sobre a situação vista em perspectiva e alerta sobre uma perigosa e duradoura turbulência.

Ao instituir Temer e Cunha como comandantes do barco, faz-se vista grossa a escândalos de corrupção e deixa-se passar um dos maiores perigos democráticos desde o golpe militar de 1964. D´Alema capta um aspecto interessante sobre as manifestações contra o governo, elas são “contra”. Leia

Belo monstro

Em meio a denúncias de corrupção, os jornais voltam a mencionar a terceira maior hidrelétrica do mundo – Belo Monte -, também dona de um legado de violação de direitos humanos. É questionável, no Brasil, a razão dos holofotes, já que o crime de corrupção nesse caso pode ter sido um dos menos graves frente às mortandades que cercam a usina desde sua construção.

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