Os presídios e a crise da mentalidade brasileira

No início do ano de 2017 rebeliões em presídios de Roraima e no Amazonas propiciaram um dos maiores massacres em cárcere desde a rebelião no complexo Carandiru em São Paulo 25 anos atrás. No último domingo, dia 15, novamente recebemos notícias de 27 detentos mortos no Rio Grande do Norte. O número de homicídios em presídios brasileiros só esse ano já ultrapassa a centena, e as discussões sobre a crise carcerária brasileira volta à tona, dessa vez com propostas para lá de equivocadas no Congresso.

Antes de argumentar sobre a crise e o sucateamento das cadeias brasileiras, é preciso dar luz ao vício do país em prender pessoas desconsiderando recursos alterativos de correção. A jaula é efetivamente o melhor método contra a violência? Vejamos  as pesquisas… O Brasil tem mais de 625 mil presos e é o 4° país do mundo que mais prende. Entre 2.000 e 2014, o número de presos aumentou 7% ao ano, um número dez vezes maior que o crescimento da população brasileira. Em contrapartida, somos recordistas mundiais em homicídios, cerca de 60 mil por ano.

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Os estudantes pela educação

O juiz Alex Costa de Oliveira da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal autorizou, no último dia 1, medidas consideradas táticas de tortura contra adolescentes que protestam contra as reformas do ensino médio e o possível fechamento da sua escola em Brasília.

O jurista autorizou o corte no fornecimento de água, luz e gás das unidades de ensino, restringiu o acesso da escola por familiares e amigos, com o intuito de bloquear a entrega de mantimentos, e também autorizou o uso de instrumentos sonoros contínuos para perturbar o horário de sono dos ocupantes.

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Assassinato de PC Farias completa 20 anos e nada mudou na política brasileira

Essa semana, o assassinato de Paulo César Farias, o PC Farias, completou 20 anos sem resolução. Não muito diferente, delações envolvendo a cúpula do PSDB, em especial Aécio Neves, são arquivadas pelo Ministério Público Federal desde 2015. A justiça e a política correm de mãos dadas. Pena é para se ter daqueles que heroicizam o juiz Sérgio Mouro.

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Tchau querido

Afastar Eduardo Cunha da Câmara dos Deputados tornou-se um exercício de paciência. Foram tantos estratagemas que há quase 1 ano a votação dessa segunda-feira se estende pela Câmara, e quase não sai. Pois a sessão precisou ser postergada em 1 hora pela falta de quórum. Votações feitas e o impossível finalmente aconteceu – Cunha está fora da Câmara.

Para surpresa geral, o PMDB e os partidos de “centrão” (PSD, PP, PR, PTB e PRB) abandonaram o político. Foram 52 votos de 66 do PMDB a favor da cassação e 33 de 35 nos partidos aliados menores. Para acontecer o afastamento, era preciso haver 257 votos a favor entre os 513 deputados. Na reta final, Cunha teve apenas 61 deputados ao seu lado.

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O Brasil saiu do muro

O Brasil está confuso. Politicamente, isso não é novidade, mas agora há falta de clareza e incerteza quanto às marchas contra o golpe, porque num raro momento da história do país as manifestações possuem bandeiras diversas e a aceitação plena de partidos e políticos marchando lado a lado. 

Os protestos contra o golpe silencioso do Congresso são encabeçados por coletivos e pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), apoiados pelo MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), pela Juventude do PT (Partido dos Trabalhadores), pelo Juntos – movimento jovem nascido do PSOL (Partido Socialista) -, entre outras organizações que carregam suas bandeiras. E o interessante: não há problema algum nisso.

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