Brics e o seu quinhão

Brics é um acrônimo formado pelas iniciais dos países membros fundadores: Brasil, Rússia, Índia e China; mais tarde, África do Sul com a nomenclatura em inglês South Africa.

A sigla foi elaborada pelo economista inglês Jim O´Neill no estudo building better global economics Brics, com a tradução: Brics, construindo uma melhor economia global. Os membros se encontram em um estágio similar de desenvolvimento econômico, conhecidos também como as economias emergentes.

A criação do Brics configurou não apenas uma ideia de auxílio aos países promissores para grandes investimentos internacionais, como também aumenta sua importância política à medida que a poderosa Rússia desvincula-se do G-7, antigo G-8, e aproxima-se do grupo dos emergentes. A ruptura se deu pela movimentação de tropas russas na Ucrânia.

A IV Cúpula dos Brics realizada em Fortaleza e Brasília, entre os dias 14 e 16 de julho desse ano, contou com a presença dos líderes presidenciais de cada país membro e definiu as primeiras estruturas de mútua cooperação: o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas. A ideia é conseguir espaço entre as instituições de ordem semelhante como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial. A presença dos presidentes integrantes da UNASUL, entre eles Cristina Kirchner, José Mujica e Evo Morales; da Argentina, Chile e Bolívia respectivamente, dimensionou o significado político-estratégico desse encontro.

O Novo Banco de desenvolvimento foi projetado para aumentar os investimentos em infraestrutura e obras sustentáveis nos países do bloco e em economias emergentes no cenário internacional. O banco tem início com o capital autorizado de 100 bilhões de dólares concedido em partes iguais pelos cinco países membros, uma diferença crucial com a maneira do FMI de ceder o crédito, onde o voto de cada país é proporcional com o seu peso econômico e político.

Conforme a declaração de Fortaleza, o banco pretende um “crescimento forte, sustentável e equilibrado”. De acordo com a última Conferência das Nações Unidades, há a carência de recursos para infraestrutura na ordem de 1 trilhão de dólares anuais. O Arranjo Contingente de Reservas é um fundo de 100 bilhões de dólares para o uso em situações de “reais ou potenciais” situações de liquidez de curto prazo sobre os balanços de pagamento.  A ideia é criar, com essas ferramentas, uma organização multipolar no cenário mercadológico mundial, com a finalidade de garantir o quinhão nas leis de mercado para as nações emergentes.

A última reunião da Cúpula dos Brics foi o momento mais importante do mandato de Dilma em relação às questões internacionais. Uma semana após o término da Copa do Mundo, a presidenta manteve a projeção do Brasil no campo internacional sediando a reunião da Cúpula do que pode tornar-se, de acordo com a especulação de especialistas, um novo bloco econômico, dessa vez formado pelas economias mais promissoras do mundo. Nosso querido Brasil, muito bem ilustrado na última Copa, não mais “o país do futebol”, busca outros títulos.

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