Brasil racista

A exclusão social do negro, herança do regime escravocrata agrário, ainda existe nos dias de hoje. Colégios particulares e universidades constituem maioria branca, que falam sobre o racismo, mas quase não compreendem o significado da segregação, pois não há convivência entre negros e brancos no Brasil. Trata-se de uma política de apartheid velado vigente desde a abolição dos escravos.

No sudeste, 43,8% da população é representada por negros. Diferente do apartheid sul africano ou da segregação estadunidense, não é necessário placas para diferenciar as cores que entram ou não em determinado local no Brasil. A não integração do negro na sociedade brasileira pós-abolição reservou aos recém-libertos lugar cativo na exclusão social brasileira.

Poucos são os negros que cursam faculdades públicas e privadas ou escolas particulares, tanto como estudantes, quanto como professores. A grande maioria permanece marginalizada na periferia social, e a falta de inclusão dificulta o entendimento sobre a necessidade de políticas inclusivas, o que apenas expande o continuísmo de práticas racistas.

Essa semana, em jogo entre Grêmio e Santos, o goleiro santista Aranha foi vítima de racismo por parte da torcida do Grêmio, que o chamou de “macaco”. Episódios como esse se tornam cada vez menos espaçados, em parte porque a denúncia e indignação crescem no Brasil. A secretaria de Igualdade Racial registrou o dobro de denúncias em 2013, comparado com o ano de 2011. Porém, esse ainda é um avanço tímido frente aos episódios recentes, que comprovam o aumento da discriminação racial em momentos de forte carga emotiva.

A única forma de inserir o verdadeiro convívio entre brancos e negros no país é por meio de políticas públicas inclusivas, que existem para suprir os erros passados de uma sociedade escravocrata. A discriminação racial no Brasil se escondeu dentro de outro problema – a desigualdade social. Com a mescla entre duas diferentes contrariedades, o brasileiro acoberta o racismo. Se não existe mistura entre brancos e negros em todas as esferas políticas e econômicas, existe desigualdade racial e preconceito.

O país adoece ao ser guiado por uma elite branca, que tão pouco conhece sobre a diversidade cultural de seu país. Não há convívio entre distintas descendências e, portanto, aceitar que não existem problemas é mais fácil, pois estes se encontram longe dos olhos de quem dita as regras do jogo. A estrutura social brasileira é fechada e rígida, com poucos espaços para mudança. A única forma de reverter o mal causado é por meio da mobilização da sociedade civil quanto ao tema, porque uma sociedade branca que não conhece a diversificação em seu convívio pouco fará para solucionar a questão no país.

Políticas inclusivas são necessárias para que haja uma verdadeira miscigenação para acabar com a segregação de grande parte do povo brasileiro. Se pouco se fala de racismo no Brasil é porque uma cor pouco convive com a outra. Essa é a falsa sensação de não haver discriminação no país. O negro, de escravo, tornou-se pobre, e conjugando essas duas características, passou mais de um século sem oportunidades iguais dentro da sociedade brasileira.

 

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