As prisioneiras pela opinião

No dia 17 de agosto de 2012, três integrantes do grupo feminino de punk rock Pusy Riot foram condenadas por vandalismo e incitação ao ódio religioso após performance no altar da Catedral de Cristo Salvador em Moscou. A banda organiza manifestações extemporâneas sobre feminismo e, mais recente, contra a campanha presidencial de Vladimir Putin.

O caso ganhou repercussão nacional quando as duas integrantes presas denunciaram na imprensa internacional os maus tratos a que foram submetidas dentro da prisão. Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina foram consideradas “prisioneiras pela opinião” de acordo com a organização Anistia Internacional.

Porém, alguns setores da sociedade russa acreditam que as Riots sejam uma ameaça aos costumes e à moral do país. Nas palavras do polêmico articulista francês Alain Soral “é uma falsa banda punk articulada por forças contrárias ao regime de Putin.”

O grupo fez e ainda faz protestos contra medidas do presidente, mas isso não é novidade no mundo do rock. Lembremos da memorável God Save the Queen interpretada por Sid Vicious e os problemas que essa música causou na época. Já no caso das roqueiras russas, é importante notar que não se trata apenas de rock contra o governo e sim de mulheres reivindicando sua voz em uma sociedade que não lhes dão o devido espaço.

Casos como o de quinta-feira passada, quando Nadezhda e Maria foram atacadas por um grupo de homens enquanto comiam no restaurante McDonald’s, ou quando integrantes da banda foram chicoteadas em fevereiro na cidade de Sochi, revelam um comportamento arbitrário de determinados setores da sociedade russa.

Dois homens envolvidos na agressão do restaurante vestiam uma camisa com o laço de São Jorge, símbolo nacionalista soviético.

Alain Soral acerta quando fala em uma guerra fria que há, atualmente, para diabolizar algumas figuras públicas, ele se referia, no caso, à figura de Vladimir Putin. Mas o mesmo está acontecendo com as pessoas engajadas no ativismo humanitário.

Aquelas mulheres que comiam no restaurante não faziam um manifesto naquele momento e mesmo assim foram reprimidas. Jogaram tinta, lixo e um líquido que mais tarde foi identificado como anti-séptico.

Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina saíram da prisão no final de dezembro, faltando apenas três meses para o final da sentença de dois anos pelo protesto dentro da catedral em fevereiro de 2012.

Após cumprirem pena, disseram que seriam ativistas pelos direitos humanos com ênfase no direito prisional russo. Alyokhina não faz mais parte do grupo de rock, mas ainda atua como ativista.

Nadezhda e Maria, assim como milhares de mulheres russas, são prisioneiras de suas opiniões e atacadas por isso. E isso não pode ser apenas uma articulação do aparelho de Estado norte-americano. Convenhamos, Soral.

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