As mulheres quando tocam o tambor

Ilú Obá De Min quer dizer “mãos femininas que tocam tambor para o Rei Xangô”. Quer dizer outras coisas também. Fala sobre a mulher e sua força. Diz sobre cultura e inclusão racial. Significa o samba e denuncia os anos e anos que a mulher foi coadjuvante de sua própria história.

O bloco Ilú Obá De Min é apenas um dos muitos projetos culturais que essa entidade realiza. E apesar de trabalhar com temas relacionados aos Orixás e o Candomblé não permitir que mulheres toquem o tambor, o grupo é formado exclusivamente por mulheres. A iniciativa foi das percussionistas Beth Beli e Adriana Aragão.

Beth buscou na cultura nigeriana a permissão para as mulheres tocarem o instrumento. Iniciou sua carreira artística em 1987 e buscou nas escolas de samba de São Paulo a referência musical que marcaria seu trabalho. Antes do Ilú, participou de outros projetos onde também desenvolvia a questão da cultura e de sua ação afirmativa, além das possibilidades rítmicas da música brasileira.

Pelas dificuldades que encontrou, Beth brinca que só voltaria a trabalhar como mestre de bateria se sua música fosse para Xangô, o Orixá da justiça. Obá é justamente um dos nomes que essa divindade recebe.

Adriana é percussionista, vocalista, compositora e tem conhecimento profundo do Candomblé. Hoje, já não participa do grupo como regente.

O projeto Bloco Ilú Obá De Min é reconhecido pelo seu esforço e dedicação com a cultura negra brasileira. Em 2008, foi agraciado pelo “Prêmio Culturas Populares Mestre Humberto Maracanã” e, mais recente, com o “Prêmio Governador do Estado para Cultura 2013”.

No terreiro masculino da exclusão, Ilu Obá De Min anuncia com seus tambores o tardio e tão esperado abre alas para a mulher branca, negra e mestiça brasileira. Nos tambores do Ilú, observamos uma trajetória sendo refeita por mãos delicadas e não menos transformadoras de sambas e amanhãs.

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