Antes fosse chapa branca

No início do mês, dia 8, foi revelado para a mídia internacional o esquema bilionário de evasão fiscal feito pela filial suíça do banco HSBC. O técnico de informática e ex-funcionário do banco em Genebra, Hervé Falciani, liberou documentos confidenciais ao jornal francês Le Monde e mais tarde para os membros do ICIJ, sigla em inglês do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. O escândalo foi batizado de swissleaks e apelidado por internautas brasileiros de suiçalão.

O caso mostra contas bancárias de mais de 180 bilhões de dólares de 106 mil clientes em 203 países, acumuladas de forma ilegal e usadas na lavagem de dinheiro e para o financiamento do terrorismo internacional.

A denúncia mancha o nome de um dos gigantes do capital financeiro e revela uma série de clientes comprometedores, conhecida como lista Falciani, a publicação dos nomes aponta figuras políticas, chefes de estado, estrelas do cinema, jogadores de futebol e até pilotos de corrida, todos envolvidos com a sonegação fiscal. Ironicamente, o único compatriota que recebeu destaque por aparecer na lista é o falecido banqueiro Edmond Safra.

Há cinco jornalistas brasileiros membros do ICIJ: Angelina Nunes, Amaury Ribeiro Jr., Fernando Rodrigues, Marcelo Soares e Claudio Tognolli. Fernando Rodrigues, atual jornalista do UOL e ex-funcionário da Folha, é o único com a lista de nomes, mas optou por divulgar apenas as pessoas ligadas a operação Lava Jato, justificando que revelaria apenas as figuras de interesse público.

Cabe questionar o que seria interesse público para Fernando Rodrigues. De acordo com informações do site Maka Angola, da mídia angolana, o empresário Jacob Barata, conhecido como Rei do Ônibus, teria R$ 270 milhões em uma das contas investigadas. Barata nega o envolvimento, mas o jornalista responsável por divulgar o site disponibilizou o número da conta relacionado a Barata.

Casos como esse exemplificam o jornalismo descaradamente patronal o qual estamos submetidos. Quando há o envolvimento de poderosos e estes são conectados com veículos midiáticos, a mídia finge que não sabe, diz que não tem provas e fica como se não fosse.

Foi grave omitir o nome dos brasileiros que aparecem na lista, mesmo porque é suspeita a ausência de figuras públicas depois das denúncias sobre Jacob Barata. Porém, mais grave ainda é apontar apenas sujeitos que são do interesse difamatório da grande mídia.

Antes parássemos por chapa branca, mas o que se encontra por aqui é uma mídia reacionária rabo preso golpista, muito aos moldes do bom e velho estigma latino-americano. O que importa é legitimar a boa índole do patrão, e a imparcialidade… Qual imparcialidade?

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