Aleppo e o grande crime de Bashar al-Assad

Governos ditatoriais fracos e sem legitimidade, como o de Bashar al-Assad, costumam ser responsáveis por grandes catástrofes humanitárias. O jogo de poder internacional na Síria reflete a fraqueza de um governante que transforma seu próprio território em local para disputas internacionais com consequências fatais para a vida de milhares de civis.

Desde 2012, Aleppo, antes capital financeira síria, está dominada por rebeldes contrários ao governo do ditador Bashar al-Assad, consequência da Primavera Árabe. Infelizmente, o levante popular no Oriente Médio e norte da África foi apenas o início de uma batalha sangrenta contra ditaduras seculares na região. A Síria e seu povo padecem diante de um governo incapaz de escutar a vontade da população e que, para se manter no poder, vende a nação para grandes potências internacionais, como a Rússia.

Os rebeldes estão acuados na cidade. Após a entrada das forças armadas russa e iraniana, sob o pretexto de acabar com o grupo terrorista ISIS (Estado Islâmico) e membros da Al Qaeda, a destruição da cidade foi massiva e os rebeldes não conseguiram conter os exércitos internacionais e o do governo sírio.

Nesse jogo geopolítico, os Estados Unidos apoiam os curdos sírios e os rebeldes, contra o governo de Assad, e o Conselho de Segurança das Nações Unidas possui assentos demais ocupados por países envolvidos no conflito.

Em meio ao caos em Aleppo, terroristas do ISIS, Al Qaeda e grupos minoritários aproveitaram para expandir suas forças na região, o que transformou a cidade em campo de guerra com inúmeros atores, culpados e vítimas. Contudo, é o governo sírio o maior culpado pelos crimes dentro de seu território. Bashar al-Assad deveria ser considerado por todos um dos maiores assassinos do século XXI, porém foi absolvido por unanimidade pelo Tribunal Penal Internacional em 2015, e prossegue ileso de todos os crimes que já cometeu. Um erro influenciado por políticos de países a quilômetros da Síria.

O fim da guerra civil é a derrota de rebeldes que começaram sua luta com pedras contra um governo sanguinário e a vitória do status quo e da continuidade das atrocidades cometidas por Bashar al-Assad.  Citando a menina de apenas 7 anos, Bana al-Abed, enquanto ainda estava em Aleppo, em sua mensagem no twitter: “Dormimos enquanto escutamos as bombas caírem, escrevo amanhã se ainda estivermos vivos”. Já é tarde demais para Aleppo, mas ainda há tempo de apoiar os rebeldes sírios, e de a comunidade internacional condenar Assad.

Uma resposta para “Aleppo e o grande crime de Bashar al-Assad”

  1. Quiana disse:

    Thanks for the inhgsit. It brings light into the dark!

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