Alemanha e Argélia, fantasmas de um passado recente

No dia 25 de junho de 1982, na Espanha, aconteceu o que todos desconfiam, porém, naquela ocasião, deu (demais) na cara. Foi o maior exemplo de jogo comprado na história da Copa; Áustria e Alemanha definiram o rebaixamento da Argélia nas oitavas de final com um vergonhoso futebol “panos quentes”, garantindo a classificação da seleção alemã e eliminando a nação africana da competição. E o que para a Alemanha foi apenas uma especulação do mundo do futebol, para os argelinos que assistiram àquela Copa, a disputa da última segunda-feira, dia 30, foi a redenção de um grupo de atletas, cansados de serem colocados de escanteio.

Para quem não se lembra da confusão, a história é a seguinte:

A Alemanha estava com o mesmo número de pontos que a Argélia, porém havia mais um jogo marcado com a, então rival, Áustria. Se os alemães ganhassem, a Argélia estaria fora, senão, haveria mais uma chance de classificação para os argelinos. No dia do jogo, os argelinos que ocupavam o estádio não acreditam no que estavam vendo e ameaçaram invadir o campo de futebol. Após o primeiro gol da seleção alemã, o goleiro alemão colocou um boné branco atrás da trave do gol, e a partir daí, o que se sucedeu foi qualquer coisa, menos uma disputa. O passe de bola lateral entre os times competidores foi tão evidente, que os comentaristas de futebol da época pediram para os telespectadores desligarem os monitores de televisão para não assistirem àquele desrespeito em forma de futebol. Resultado: Alemanha ganhou de 1 a 0 da Áustria e Argélia foi eliminada da Copa.

Diante das especulações de como seria o jogo de segunda-feira, o técnico bósnio da Argélia, Vahid Halilhodzic, disse para a imprensa que estava disposto a mudar a história e, de fato, tentou. “Não esqueci 1982 e meus jogares farão o possível para terem a sua revanche” – declarou Halilhodzic. E para quem assistiu ao jogo Alemanha x Argélia não há dúvida, não ganharam, mas também não saíram em branco dessa Copa.

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