Aldeia multiétnica, o compromisso de permanecer

Pegando a saída norte na cidade de Brasília, sentido São João da Aliança chega-se à cidade de Alto Paraíso. De lá, é preciso percorrer 36 quilômetros de estrada de terra, e bota terra nisso, até a Vila de São Jorge onde se localiza o início do parque da Chapada dos Veadeiros e a maior população de hippies por metro quadrado do Brasil.

Um grafitti com uma mulher indígena carregando um tucano no ombro indica para o viajante que ele chegou ao seu destino – a Vila de São Jorge. Um povoado de antigos garimpeiros sobrevivendo do turismo. Milhares de mochileiros interessados nas incríveis trilhas e cachoeiras da região passam pela cidade, também vêm para o encontro de culturas indígenas da aldeia multiétnica.

O Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros na aldeia está em sua décima quarta edição e reúne boa parte das comunidades do norte do país. Esse ano, por conta dos gastos públicos direcionados para a Copa, a aldeia perdeu a ajuda anual do governo para o evento e muitas tribos não conseguiram financiamento suficiente para se deslocarem até a região do evento. Por isso, excepcionalmente esse ano, foi cobrado a quantia de 15 reais na portaria da aldeia afim de ajudar as comunidades presentes. Apesar das dificuldades, o evento manteve-se e quem esteve lá, pôde vivenciar os costumes e o cotidiano do povo da mata.

O encontro tem como finalidade primordial mostrar quem são aquelas comunidades que vivem isoladas no mato e, acima de tudo, lembrar as pessoas sobre a existência delas para podermos proteger aquele patrimônio cultural frágil e isolado.

A aldeia promove rodas de prosa, oficinas de percussão e artesanato, exposições fotográficas e debates sobre os problemas sociais das comunidades.  Assuntos relacionados à demarcação de terras indígenas, educação especializada e preservação das tradições ganham destaque nos debates.

A etnia Yawalapiti, em conjunto com a comunidade Kalunga, construíram uma oca Xinguana, a primeira construção indígena da aldeia. Em 2012, foi a vez dos Kaiapós e em 2013 dos Krahô. A ideia é formar uma aldeia com a característica de cada povo, unidas pela mesma necessidade, a necessidade do reconhecimento de que ainda estão ali.

São comunidades centenárias e precisam do apoio dos brasileiros para continuarem com seus costumes e, sobretudo, viverem em paz nos seus territórios de origem. Para que isso aconteça, é primordial tomarmos conhecimento da existência desses povos, vermos as crianças pintadas garantindo novas gerações, e sentirmos essa obrigação de que devemos a eles o colorido e a musicalidade do nosso povo miscigenado.

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