A vida vale mais que um gol

A derrota para a Alemanha de goleada paira no país como um mal-estar. Ainda é cedo para entender quais serão as consequências da derrota brasileira, mas elas virão.

A Copa de 2014 foi diferente de qualquer outra. Primeiramente, houve os levantes contra o evento, que desviou bilhões de reais para a construção de estádios em um país que carece de serviços básicos. Apesar de o início dos jogos ter acalmado os ânimos, a goleada pode reacender a chama dos protestos, que foram cruelmente dissipados pelo governo nesse último mês, com prisões e perseguições inconstitucionais.

Além disso, há eleições em 05 de outubro. Os ânimos entre partidos já estão acirrados, e discussões e teorias de conspiração tomam conta das redes sociais. A presidenta Dilma, em entrevista à CNN, afirmou que o resultado 7 a 1 não estava nem em seus piores pesadelos. É certo que ela e sua equipe estão preparados e aflitos com o que a humilhação histórica do time brasileiro possa vir a representar.

Nas palavras do governo, o dinheiro investido na Copa traria retorno à população, o que não aconteceu. Pelo contrário, o PIB brasileiro diminuirá devido ao mês pouco trabalhado. As obras de mobilidade estão em atraso, e educação e saúde perecem. O legado da Copa 2014 para o Brasil será um placar de virada no Mineirão perplexo.

“Vamos deixar o cadáver esfriar”. A partir de domingo, a capa dos jornais não terão mais os símbolos da Copa, e os enfeites verde e amarelo estarão no lixo. A mídia retornará a fazer do cotidiano brasileiro seu principal assunto. A torcida continuará esperando mais do Brasil. O ópio do povo não funcionou, e o circo foi desarmado em clima de funeral. Agora, o gol que não veio contra a Alemanha será cobrado na vida.

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