A rua é de todos

Copyleft é uma maneira de redimensionar a legislação dos direitos autorais (copyright) para permitir que o trabalho de alguém possa ser utilizado e reformulado por outra pessoa. Esse tipo de licença parte do princípio de que não se deve privatizar o conhecimento porque é pela interação de ideias que novas formas de entendimento são construídas. Não é por menos que o termo urbanismo copyleft é utilizado para ilustrar intervenções no espaço público.

A ideia é ocupar e readaptar a função de um território, um comportamento que se divide em dezenas de expressões com os mais variados fins, porém que convergem para um mesmo ato – ressignificar o espaço.

Quando mais de cem pessoas escolhem morar em um prédio abandonado no centro de São Paulo, elas transformam aquele edifício abandonado em moradia, legal ou ilegal, a transformação foi feita e isso precisa ser considerado. Da mesma forma, regiões do centro da cidade de São Paulo, conhecidas como perigosas e inabitáveis, estão aos poucos sendo transformadas em espaços culturais. É difícil verificar o que está fazendo com que essas mudanças ocorram de maneira tão frequente nos últimos anos, mas podemos sugerir que tem a ver com a poderosa capacidade de articulação das redes sociais.

Na lógica do sistema capitalista, há uma inevitável preferência pelo privado em relação ao público e foi assim que as cidades brasileiras foram construídas, os ricos na região central e os pobres na periferia. Mas não precisa ser assim. Frequentar um evento gastronômico, uma passeata, ou uma festa que seja, na rua, em um lugar inusitado, é uma forma de reinventar um espaço que foi sistematicamente afastado das pessoas. A rua é lugar para todos e estar nela também significa estar mais próximo ao outro.

Brincando um pouco o jogo do contente, a falta de planejamento urbano tem lá o seu ponto positivo. É onde ninguém pensou que podemos planejar e criar algo diferente. Dessa vez, na rua, para todos.

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