À rainha dona Ivone Lara

Yvonne Lara da Costa, ou como é conhecida, dona Ivone Lara, é a homenageada da vez no projeto Ocupação, criado pelo Itaú Cultural, em sua 26° mostra.

A sambista nasceu no dia 13 de abril de 1921, em Botafogo. Órfã aos 6 anos de idade, filha de músicos, foi enviada ao colégio interno Orsina da Fonseca, na Barra da Tijuca. Lá, dona Ivone agregou as raízes da família à instrução erudita para compor suas próprias canções.

Ao deixar o colégio, aos 17 anos, já tinha as instruções para ingressar nas rodas de samba ao lado do Tio Dionísio e os primos Hélio e Fuleiro, seus primeiros parceiros musicais. O tio a ensinou a tocar cavaquinho e assinou as primeiras composições de Ivone para elas serem interpretadas. Em um mundo exclusivamente dos homens, o talento das mulheres não encontrava espaço.

Dedicou uma vida inteira à música. Por 37 anos, além de sambista e compositora, foi também enfermeira e auxiliou pacientes com problemas psicológicos por meio da musicoterapia.

Na época da sua mocidade, o preconceito no circuito do samba não permitia que mulheres fossem reconhecidas como boas compositoras. Mas dona Ivone provou a uma geração inteira que podia fazer samba e como podia. Inclusive ao seu marido, que detestava ver a mulher cercada por sambistas e festa.

Hoje, o marido de dona Ivone, Oscar Costa, conforma-se com a fama da esposa: “depois de velha, agora minha mulher é artista” – um tom um pouco irônico, ainda assim, mais conformado.

Há quem a considere uma das grandes rainhas da música popular brasileira por equipara-se a figuras pioneiras feito Chiquinha Gonzaga. Dona Lara enfrentou o marido, a década de 40, o cenário masculino e uma sociedade inteira para exercer aquilo que mais a fascinava e o fez como quem não enfrenta, com aquele jeito maternal de fazer o que deve ser feito, e o resto que se conformasse com ela, quase como Chiquinha cantou o abre alas.

Dona Lara tornou-se a primeira mulher a compor para grupos de elite do samba do Rio de Janeiro, e o nosso repertório musical não seria o mesmo sem os memoráveis: sorriso negro, sonho meu, a menina e o tempo; e tantos outros sambas.

Há quem diga que ela seja mais uma entidade disfarçada entre os homens do que apenas uma mulher. Costuma abraçar os próprios braços em retribuição ao carinho que recebe do público, e não há quem fique indiferente ao seu carisma, como se houvesse qualquer coisa de mágica na sua presença.

A vida e obra de dona Ivone estão em cartaz até o dia 21 de junho no Itaú Cultural.

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