À procura do nacional

Ao menos doze cidades ucranianas estão sob o comando de manifestantes. A “operação antiterrorismo” elaborada pelo governo parece estar fracassando na tentativa de conter a insurgência popular separatista no país.

O fim de semana foi de protestos violentos em pelo menos seis cidades orientais, os levantes aconteceram em resposta à morte de 40 pessoas no incêndio em Odessa e à prisão de manifestantes. No último domingo, centenas exigiram a soltura de ativistas detidos na principal delegacia da cidade.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) enviou um grupo de funcionários para tentar conter os protestos populares e a insatisfação política ucraniana, mas acabaram sendo sequestrados na última sexta-feira. Oito inspetores do OSCE, entre eles, quatro alemães, estão detidos na cidade de Slaviansk.

Os insurgentes consideram os observadores militares da OSCE espiões da OTAN e pretendem libertá-los apenas com a soltura de companheiros detidos pelo governo – condição rejeitada por Kiev.

O presidente Vladimir Putin afirma que fará esforços para que os inspetores sejam liberados ilesos, porém os manifestantes que estão com os funcionários insistem que não há nenhuma influência do chefe de Estado russo nas decisões do grupo. Os líderes exigem: referendo popular para um sistema federativo e até o desligamento total com Kiev, assim como aconteceu em março deste ano na Crimeia.

Grande parte dos manifestantes na Ucrânia são simpatizantes de ideologias nacionalistas para o país, porém o nacionalismo é uma política de Estado que nunca foi construída naquele Estado. Por isso, Rússia tenta intervir com a sua maneira de governança naquele território.

O país encontra-se em posição estratégica no mar negro e, portanto, há uma disputa entre Oriente (EUA e EU) e Ocidente (Rússia) para influenciar a economia e a política ucraniana.

As tentativas de Sanção

União Europeia e Estados Unidos reforçam suas sanções contra a Rússia na tentativa de afastar a influência do país na região.  A UE congelou contas bancárias na Europa de figuras do alto escalão russo e ucraniano, como também negou o direito de visto temporariamente para esses indivíduos, a lista dos sancionados conta com 48 personalidades públicas.

Washington também aplicou medidas punitivas a sete representantes do governo russo, assim como a companhias ligadas ao presidente Vladimir Putin. Igor Sechin, diretor executivo da petroleira estatal, Rosneft, está entre os nomes sancionados pelo governo norte-americano. As sanções pessoais de Washington também consistem no congelamento de contas nos EUA e nas restrições de viagem.

O Kremlin considerou as sanções pessoais “inaceitáveis” e disse que tais medidas pouco impactam na economia russa. De acordo com declarações do governo russo: atitudes como essas só encorajam a ação dos russos e de seus aliados.

A Casa Branca também fez ameaças ao governo russo com embargos econômicos, caso aconteça novas interferências militares russas na região. Desse caso, os embargos vindos do bloco europeu surtiriam mais efeito porque o país e o bloco mantêm relações comerciais mais próximas, porém com a crise europeia e a dependência de recursos energéticos russos, a União Europeia não pode arcar com tal estratégia de pressão política.

O corpo militar do ocidente

Jatos ingleses encontram-se no espaço aéreo báltico para patrulhar a Estônia, Letônia e Lituânia, como medida da OTAN frente à perda de território político ideológico na Ucrânia. Tropas americanas também chegam à região, sua permanência está prevista até o fim do ano.

Os acontecimentos recentes da Ucrânia causaram receio às potências Ocidentais quanto a pretensão hegemônica da Rússia na região. Putin declarou fazer da Criméia uma vitrine de suas políticas de incentivo aos países próximos.

A Ucrânia passa por um levante popular que mais se identifica contra o governo de Kiev do que a favor do regime russo. Os ucranianos estão decepcionados com seus dirigentes e voltaram-se, em parte, para as ideias de forte cunho nacionalista aos moldes russos. Não há, por enquanto, como prever a trajetória dessas manifestações no cenário em longo prazo.

Uma coisa é certa, enquanto isso, o Kremlin ocupa-se em mostrar as mil vantagens de aliar-se a ele. Doa a quem doer.

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