A influência das redes na democracia real

Pode-se dizer que a sociedade contemporânea vive quase metade de seu tempo na internet. Seja a trabalho, comunicação ou entretenimento, a internet e as redes sociais tornaram-se a irrealidade real. Dentro do mundo paralelo da internet não há leis e lideranças, apesar das tentativas de controle por parte de empresas e governos. A comunicação é fluida e dispensa limites. Essa forma de expressão está saindo, do que parecia ser um instrumento alienante, para as ruas, fazendo com que a maneira que agimos nas redes transforme-se em relações humanas reais.

No Brasil, as manifestações de junho de 2013 foram chamadas pela internet e caracterizadas como horizontais, sem lideranças claras. A internet permite insubmissão e escolhas que não são oferecidas pelo mundo real. O conhecimento de diferentes possibilidades oferecidas dentro da rede gera demanda por liberdade. Dessa forma, a organização em grupos nas mídias sociais passa a encontrar-se fora delas, e a liberdade de expressão permitida na rede é também a que se anseia na coletividade.

Essa semana, Hong Kong insurgiu-se contra seu governante e a favor de eleições diretas – atualmente o presidente é escolhido pelo Partido Comunista Chinês. O meio de comunicação é a internet e, apesar de a mídia citar algumas poucas lideranças desconexas entre si, é a população que pede por mudanças e invade as ruas. As redes sociais são a ferramenta ideal para a mobilização em massa, porque geram informação e conhecimento, dois componentes essenciais para configurar mudanças na sociedade, que em última instância tornam-se revoluções.

A modernidade do saber tecnológico esbarra-se nas instituições congeladas da sociedade. A possibilidade de transpor hierarquias no espaço virtual torna-se desejo dentro do individualismo direcionado por instituições diversas e leis que dizem representar a população, que na realidade pouco usufrui ou é protegida pelo sistema político legal. Em vez de fechar o indivíduo em frente a telas, a internet conectou-o ao mundo e devolveu a ele o conhecimento e a voz.

A internet pode servir para manipular, assim como qualquer outro meio de comunicação, mas nela tem-se a liberdade de não ser mero telespectador, e sim protagonista e agente de ideias. Desfazer o status quo é possível em um meio completamente democrático, em que se tem o direito de expressão em grande parte assegurado. Antes pensado como instrumento alienador, a internet tornou-se palco principal da indignação. A vida dentro da web é hoje parte do cotidiano, tornando-se impossível para a sociedade viver disparidades entre as escolhas e o protagonismo que se tem na máquina e no mundo real.

Deixe uma resposta