À espera pelo melhor delator

Nunca se falou tanto de delatores e delações premiadas no país após os escândalos da Petrobrás, quando a temporada de caça às bruxas da Polícia Federal foi oficialmente inaugurada. Foi graças a esse mecanismo, as declarações premiadas, que esquemas gigantescos de corrupção são investigados e punidos, porém… Há quem critique a medida.

Alguns consideram a ação uma espécie de jogo com cartas marcadas, haja vista ser o réu quem conduz as investigações federais e, portanto, ele pode direcioná-las para caminhos mais convenientes.

As delações funcionam da seguinte forma; primeiro, é preciso que o ato seja voluntário e a acusação resulte em provas efetivas, caso a declaração não der resultados, o réu perde os benefícios jurídicos; que podem variar desde o perdão judicial até a redução de 2/3 da pena. Ou seja, as declarações precisam de legitimidade probatória.

Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, recentemente, citou Michel Temer como intermediador de 1,5 milhão para financiar a candidatura de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo em 2012. Temer nega.

O beneficio jurídico para crimes dessa natureza é uma novidade no Brasil. A medida começou com crimes hediondos, depois sequestros e, mais tarde, desde 2013, a lei se estendeu para ilegalidades administrativas e de fisco, os chamados crimes de colarinho branco, e as denúncias não param…

Foi pela delação de Milton Pascowitch, lobista da Engevix, por exemplo, que Luis Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de José Dirceu, foi investigado e preso. As declarações de Pascowitch também reafirmaram a delação de Gerson da Almada, vice-presidente da mesma empresa, que por sua vez, já havia aparecido nas denúncias premiadas de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás.

Na atual tempestade política, anda um salve-se quem puder tamanho que vale a pergunta ao leitor e ao expectador de noticiários. E agora? Quem confessa primeiro? Quem confessa melhor? Ao que parece, todos sabem de tudo, menos nós, ou será que já não sabíamos também?

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