O surrealismo de Miró

O Brasil recebe em 2015 a exposição A Força da Matéria, que está em cartaz no Instituto Tomie Othake em São Paulo até 16 de agosto. Nascido em Barcelona em 1893, Joan Miró era catalão e filho de comerciante pertencente à classe média. Desde os 14 anos, inicia aulas de pintura, contrariando a vontade de seus pais. Miró sempre foi reservado e introspectivo, e parece colocar em sua arte toda explosão que emana de sua técnica.

Joan Miró não teve o apoio paterno para se tornar artista. Foi após diversas insistências e uma depressão que o artista segue o caminho da arte. Sua primeira exposição individual foi em 1918 e durou três semanas. Miró estava em uma época em que devia escolher os ismos a seguir, já passado o movimento cubista e tendo o dadaísmo quebrado com a representação da imagem. Em suas próprias palavras, o pintor disse que não se sentia cubista. Miró representava a vanguarda  da época. De acordo com o escritor André Breton: “Ele foi o mais surrealista de todos nós”.

A Guerra Civil Espanhola afasta Miró da Espanha. O artista passaria parte de sua vida em Paris, onde tomou parte do grupo dos surrealistas. A ditadura de Franco governa a Espanha por grande parte do século XX. Apesar de Miró retornar a seu país, ele sempre se posicionou contra a falta de liberdade de expressão do governo.

A criação de Miró contém quadros, desenhos e esculturas de diversos materiais. Suas esculturas são espontâneas e utilizam diversos materiais que vão além da simples imagem. A arte de Miró indaga e pergunta o seu próprio significado para quem a vê. Os quadros são feitos na tela, como também na madeira, mostrando a mistura da rigidez da matéria e da leveza do pincel. Tudo é tramado para ir além.

A partir de 1960, Miró torna-se conhecido em todo o mundo. Intervenções grandiosas fazem parte de sua obra. O estilo catalão e as cores e traços fortes tornou-se sua marca registrada. Até o fim da vida, Miró criou como ninguém e faleceu em 1983 aos noventa anos.

A exposição A Força da Matéria está em São Paulo até 16 de agosto, e depois seguirá para o Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis. Essa é a maior exibição do artista no país. Para quem não conhece Miró e para quem aprecia sua arte, essa é uma oportunidade para ver mais de 100 obras do artista que, em vida, foi muito além do próprio surrealismo.

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