A Tragédia Latino-Americana, de Felipe Hirsch

Felipe Hirsch dá continuidade à peça Puzzle, de 2013, com A Tragédia Latino-Americana, que esteve em cartaz no SESC Consolação até o final de março na Mostra Internacional de Cinema. A continuação será A Comédia Latino-Americana, que terá estreia em setembro no festival Mirada, em Santos.

À época, a peça Puzzle foi aclamada em sua estreia por ser uma abordagem atípica sobre o que é ser brasileiro por meio da literatura nacional, mostrando que textos de séculos anteriores ainda podem servir para caracterizar uma sociedade que pouco se modificou ao longo dos séculos. Formada por quatro peças, Puzzle é fortemente irônica e mais ácida que A Tragédia Latino-Americana.

Em A Tragédia, Hirsch conta com elenco diverso, formado de brasileiros e argentinos, que inicia a peça de duração de 4 horas, dividida em dois tempos, agradecendo e vangloriando grandes personagens da história brasileiras e da política atual, culpados por genocídios, torturas, assassinatos e corrupção – algo não muito distinto do que vemos hoje em dia.

A ironia segue ao longo da peça, em que blocos gigantes de isopor são montados e desmontados o tempo todo, como a história da América Latina. Diversos textos são encenados, do cubano Guillermo Cabrera Infante ao brasileiro do início do século XX, Lima Barreto, que fecha a peça com texto do conto A Nova Califórnia.

Felipe Hirsch é um grande nome do teatro brasileiro com mais de 20 anos de carreira e inúmeras produções em seu currículo. O diretor, fã de Lima Barreto, diz, sobre o conto A Nova Califórnia que está em sua última peça: “E, apesar de escrito há um século, o conto parece atual, a ponto de um dos vilões ser o presidente da Câmara dos Deputados”.

A crítica no teatro atual nunca esteve tão viva e presente em meio aos sensacionalismos políticos correntes.

Vale a pena ficar atento às peças e estreias de Felipe Hirsch que a cada ano chega com novas produções de abrir a mente e tirar o fólego da plateia.

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