Após uma noite de exageros

Uma ligeira coragem e a predisposição para o foda-se contaminam a trama do dia após uma noite de exageros. As obrigações ainda existem, mas serão sem culpa adiadas para amanhã, após uma noite de exageros. A pilha de roupa conserva o seu relevo e os lençóis em desalinho não serão alinhados após uma noite de exageros. Xícaras tatuam delicados contornos imperfeitos de café em qualquer papel importante, após uma noite de exageros.

Promessas sinceras são esquecidas, números de telefone, acrescentados ou apagados.

Não se fica cem por cento sobre as pernas e alguma coisa ainda rodopia os nervos e encharca o bom senso, após uma noite de exageros. A lembrança entrecortada do que se passou prevê mais ocasiões como esta: a do dia após uma noite de exageros.

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Dachau: para nunca mais

Foto: Fabiana Alves.

O sol da manhã iluminava uma vasta área de campo aberto com construções geometricamente calculadas. As árvores altas e antigas enfileiradas uma após a outra davam a sensação de que, antes, aquela rua havia sido passagem bastante frequentada. O arame farpado continuava no topo das grades, e uma espécie de córrego corria ao redor da construção, mostrando que a água serviu para alimentar campos agrícolas na rica região. A entrada tinha uma pesada grade de ferro em que se lia: “Arbeit macht frei”, o trabalho liberta, em alemão. Leia

A bunda política da mulher do ano

A nova música, Vai Malandra, da cantora Anitta bate o recorde brasileiro de visualizações no Youtube nos primeiros três dias após o lançamento, e o hit deu o que falar nas redes. Há os que acusam a cantora de se rebaixar à posição de mulher objeto e outros que louvam a atitude da artista de ter subido nas tamancas de vidro e abusado do biquíni de fita isolante. Feminista ou objeto de consumo, quem é essa Anitta? E o que ela quer com a sua bunda? Leia

Tatuagem

Sentei-me com os olhos alheios a quanto me rodeava no vagão do metrô. Imerso num pensamento organizacional, calculava quais seriam meus próximos passos; descer na Estação Consolação, encontrar café pouco frequentado, avançar a leitura do livro, fazer isso, aquilo, depois aquilo outro… Um par de sapatos.

Um par de sapatos desviou a minha atenção e colocou-se na minha diagonal, não tão próximo, nem tão longe. Nunca havia visto um modelo igual. Tamancos holandeses mais ajustados aos pés, de couro na parte dianteira e juta na posterior. Difícil figurar o modelo, eles pareciam da Sarah Chofakian com alguma coisa de ortopédico. Evidentemente não eram bonitos. Ainda assim, eu os usaria.

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Um funeral para ARA San Juan

Imagem: EITAN ABRAMOVICH/AFP

Noticiários trazem novas evidencias sobre o submarino ARA San Juan desaparecido desde o dia 15 de novembro, aumentando a expectativa de amigos e familiares dos 44 tripulantes a bordo, dessa vez são os possíveis destroços do veículo.

Sem expectativas de sobreviventes, no início do mês de dezembro, o governo Macri declarou as buscas por encerradas. Porém, devido à pressão popular e ao auxílio internacional, a marinha argentina volta a investigar o paradeiro de ARA e trazê-lo à tona.

Familiares, amigos e a sociedade argentina não estão à espera de um milagre, eles protestam pelo direito de enterrarem seus mortos, afinal, foi a mando do governo que eles partiram e é obrigação do governo trazê-los de volta.

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